6 de jun de 2011

QUE BAITA MACHO!

O fechamento da Ponte de Uruguaiana por Iris Valls no cumprimento de seus deveres e defesa de seus munícipes. Relato do seu filho, Getulio Valls.


Alguns amigos me pedem que conte a história do fechamento da ponte Uruguaiana-Libres, pelo pai, quando era prefeito nessa cidade. Alguns fatos podem estar em desacordo com a verdade posto que para mim chegou a história e vocês sabem como há distorções na história. Por favor, se alguém detectar os desacordos históricos, não se acanhe em publicá-los, haja vista que a elucidação dos fatos é o melhor caminho para a verdadeira história. Assim me contaram que aconteceu:
Um dia, meu pai estava despachando normalmente na prefeitura quando alguém entrou em seu gabinete anunciando que um gendarme argentino tinha batido de chicote em uma "chibeira" porque ela trazia um quilo a mais de não sei o que e, não contente com o espancamento rasgou seus pacotes espalhando sua mercadoria no chão. Averiguada a veracidade do fato, foi até a casa Jaques e comprou dois rolos de arame farpado e dirigiu-se à ponte. Chegando na divisa, desceu do carro e simplesmente passou o arame de um lado a outro, deixando o "General" Aymone cuidando para que ninguém se atrevesse a tirar.
Saindo dali, foi até o QG militar (época boa em que as autoridades eram autoridades) e colocou os milicos na rua a prender todos os argentinos que estavam em Uruguaiana, ficando presos no 8º de cavalaria a pão e água.
O Perón, ao saber do ocorrido, deslocou para Libres sua famosa divisão de Panzer's e para lá também se dirigiu, mandando chamar o pai para saber dos acontecimentos. O pai mandou dizer ao Perón que atendia na prefeitura municipal em horário comercial. Perón, não acostumado a ser contrariado, avisou Getúlio Vargas que invadiria para "resgatar seus compatriotas". O Getúlio muito amigo do pai e o conhecendo, tocou para Uruguaiana e o convenceu, a muito custo, a encontrar-se com o Perón no meio da ponte. Ali se encontraram os três ás 11:00 hs da manhã de um dia quente como só nessa região sabe ser, e ficaram conversando até às 15:00hs.
Dessa reunião, foram tiradas algumas decisões:
1º - Que o gendarme que chicoteou a "chibeira" era entregue imediatamente à justiça brasileira para por ela ser julgado, e o foi.
2º - Uma carta de próprio punho do Perón autorizando a Prefeitura municipal de Uruguaiana a passar na ponte o que fosse necessário para seu abastecimento (foto deste documento está a disposição no meu perfil);
3º - O gendarme foi trocado no meio da ponte pelos 36 argentinos presos em Uruguaiana no mesmo dia;
4º - Perón veio a Uruguaiana para acertar alguns detalhes e posou para foto na prefeitura municipal (também a disposição no meu perfil);
5º - Pela coragem de defender seus munícipes, o pai ganhou do Perón a espada de San Martin (também está a foto) e o cargo de general na Argentina com seus respectivos vencimentos. O pai aceitou a espada, mas recusou o cargo e os vencimentos, aludindo que quem servia a duas bandeiras não servia a nenhuma.
Ficaram amigos, se correspondiam e visitavam. Homens com coragem, determinação, mas, principalmente com noção de dever público de seus cargos.
Toda a vez que conto isso me emociono, me envaideço e me orgulho de ter recebido essa herança sem preço no mundo. Que possa servir de estímulo e exemplo para todos os detentores de cargos públicos que não cumprem com seus munícipes.

Um comentário:

  1. Anônimo9:50 AM

    ola seu jayme!!!!!!!!!
    e o douglas,sera que o senhor poderia ver alguem de uruguaiana ,para me ajudar procuro informaçoes sobre o s.c universal.
    meu email e www.dudatc@ibest.com.br

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