2 de mar de 2010

DOS CARNAVAIS

Pronto, ainda não será este ano em que voltarei ao carnaval de Uruguaiana! Mesmo tendo insinuado várias vezes aqui neste espaço meu desejo de conferir, ou melhor, de aferir o que por aí hoje se chama carnaval, ninguém se sensibilizou com minhas histórias a ponto de me convidar para participar da festa. Mas vou continuar insistindo... Um dia poderá dar certo. Enquanto isso não ocorre continuo em meu auto-exílio momesco aqui no alto da serra de Petrópolis com uma temperatura média de 26 graus durante o dia e 18 à noite. Insuportável!


O único senão é não chover há mais de duas semanas, dizem os especialistas ser por culpa do El Niño bloqueando as nuvens de chuva que deveriam ser geradas pela Área de Convergência do Atlântico Sul, criando zonas de baixa umidade e altas temperaturas. Traduzindo em miúdos: Não chove, e pronto!


Esta seca faz lembrar uma outra, há mais de cinqüenta anos, durante um carnaval ai mesmo em Uruguaiana. Naquela época não havia ainda o noticiário da TV, e nem TV para aumentar ainda mais apreensão dos munícipes e o máximo em informação era o noticiário dos jornais (Correio do Povo, Diário de Notícias...) e as edições semanais da revista O Cruzeiro. Foi então, diante da situação de calamidade no Nordeste, que surgiu como fio de esperança um “cientista”, o Dr. Janot, que se propunha a fazer chuva bombardeando as nuvens com sais de prata.


Hoje não lembro se foi bem sucedido em seu experimento mas inspirou uma criação de Rodolfo Tijolinho e minha. Encapotados e munidos de guarda-chuvas fomos para o baile do Comercial fantasiados de “Tomara que Chova”. Eu interpretava o Dr. Janot e o Rodolfo seu fiel assistente. Completava a fantasia dois baldes cheios de confete que ameaçávamos e, às vezes, jogávamos nos outros foliões. Um sucesso. Tudo correu muito bem até a hora em que o confete acabou e pegamos um balde com gelo derretido de cima de uma mesa e demos um banho num respeitado sócio do clube.


Só não fomos expulsos do baile por intervenção da turma do “deixa disso”, em que pese não termos uma ficha muito limpa com varias anotações de molecagens desde os tempos de bailes infantis.


Jorge Teixeira e eu, já mais crescidinhos fomos a um daqueles bailes infantis em que o chão do Comercial ficava totalmente coberto de confete e serpentinas. O Jorge, era metido a biólogo, havia levado presa numa caixinha uma pequena cobrinha que terminou perdendo no salão no meio da criançada. Foi um pandemônio, mas por sorte nunca ninguém descobriu a autoria. Isso sem contar de quando Hemeris Barbará se fantasiou de “Menino dos Gansos” e amarrou uma meia dúzia deles na cintura. Dessa vez fomos barrados na porta do clube.


Só agora me dou conta de que, talvez por conta de episódios como estes, nunca me convidaram para o Carnaval de Uruguaiana.




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Enquanto suo para “catilografar” essa coluna a Globo arrasa literalmente com o Desfile das Escolas de Samba do Rio de Janeiro. Em muitos anos de audiência de transmissões televisivas nunca vi uma equipe de TV tão mal escalada. Parece que, só na véspera, os profissionais foram surpreendidos com a ordem de cobrir o desfile das escolas de samba com uma única instrução: falar sem parar mesmo que sem o mínimo conhecimento do que estariam comentando, impedindo assim que nós, reles mortais, pudéssemos ao menos formar uma tênue opinião sobre o evento carnavalesco.


Um caso sério de incontinência verbal. A transmissão foi completamente equivocada em tudo, imagens, comentários, reportagens, transformando as apresentações das escolas num quebra-cabeças sem pé nem cabeça.Uma tragédia!


Isso sem contar que na dupla de apresentadores tivemos o Luiz Roberto, aprendiz dos piores vícios do Galvão Bueno (Que medo!).


Nós, telespectadores, não merecemos isso.

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