24 de ago de 2011

EITA TEMPO BOM!


            Na nossa vida tem coisas que acabam virando causos por causa das coisas que acontecem. Deu para entender? Entendeu? Nem eu...
            Nos tempos em ainda não existiam motéis, esses facilitadores da vida sexual da moçada, os machinhos tinham de se virar, ou com encontros fortuitos com a categoria das moçoilas incautas, avançadinhas, que muitas vezes tinham como destino a delegacia ou o juizado de menores, ou com as sacrificadas e condescendentes meninas dos chatôs do chinaredo. Estes sempre mais seguros do que se arriscar a um casamento atrás da igreja.
            As mocinhas decaídas do meretrício mantinham conosco, rapazes da sociedade, uma relação bastante estreita, sendo que muitas delas se intitulavam nossas “namoradas da madruga” e, como toda a namorada, nutriam ciúme e sentimento de posse em relação ao seu amigo, amado, amante.
            A turma da vida fácil, mas da sobrevivência difícil, tinha um código próprio de conduta com regras não escritas, consuetudinárias, conhecidas e seguidas por todos seus freqüentadores. Algumas delas:
            - Nunca dar motivo para escândalo ao ir às compras no comercio local;
            - não usar roupas chamativas durante essa atividade;
            - vestido curto (mini-saia) era prerrogativa das mocinhas de família, as percantas usavam sempre saias rodadas e abaixo do joelho;
            - nunca demonstravam intimidade com seus amigos ao cruzar por eles no centro da cidade;
            - agir com recato e falar em voz baixa na presença de pessoas desconhecidas;
            - não freqüentar confeitarias, restaurantes, bares e outros locais onde pudessem, com sua presença, ofender as famílias.
Essa conduta e outras atitudes sempre me pareceram bastante ponderadas ainda que muita gente estranhasse que elas não apresentassem em publico nada daquilo que era mostrado no cinema quando nos filmes tentavam retratar suas vidas.
Tinham um profundo desdém pelas mocinhas de família a quem tratavam de “gavetas”, com alguma razão, alegando que viviam fechadas a espera que uma chave viesse abri-las. Mas, ao mesmo tempo eram guardiãs da fidelidade dos seus “amigos” às suas noivas e namoradas, condenando qualquer um que tentasse ou viesse a traí-las. Esta experiência eu mesmo tive, pois sendo noivo no Rio namorei uma menina em Uruguaiana. Minha “namorada da madrugada” na época revoltada com isso ameaçou contar à minha família esse meu deslize sentimental. Foi um sufoco!... Mas, como naquele então eu estava na idade de achar sexy até buraco de fechadura, persisti no crime e na traição. Abominável.
Era um tempo de experiências que, já então, sabia seriam inesquecíveis às daqueles momentos em que tudo na vida seria possível e exeqüível. Tudo o que sonhávamos se concretizaria numa maravilhosa realidade. E uma delas era a de que, mesmo não sendo muçulmanos, teríamos direito a um harém - não o das cem virgens prometidas pelo Profeta – mas um mais modesto com umas duas ou três mulheres.
Ah, a mocidade!!!  Gozávamos dessa prerrogativa do frango novo no galinheiro mantendo a duras penas, uma noiva distante, uma namorada local e a “namorada da madrugada”. E assim fomos vivendo numa maravilhosa corda bamba graças a qual consegui esticar essa coluna até aqui.
Obrigado, meninas!

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