4 de dez de 2009

PAPEIS VELHOS


PAPEIS VELHOS

            Revirar papeis velhos é uma atividade que repentinamente se faz urgente. Quando na escrivaninha, na mesa do computador, nas prateleiras do escritório já não existe vago lugar algum, com a bagunça se estendendo até aos armários de roupas, é certa a reclamação da dona da casa e, mais veemente ainda, da sua assessora para assuntos domésticos, vulgo – Faxineira.
            Pressionado pelo poder executivo recebi ordens:
            - Este escritório esta uma bagunça. (Essa da metade mais cara);
            - Ou o senhor limpa seu armário ou não tenho mais onde pendurar sua roupa. (Essa nem preciso dizer de quem veio).
            Diante de tais argumentos nada mais me restou que meter a mão na massa, ou melhor, na papelada. Credo! Nunca havia imaginado quanto lixo se junta para mantermos a aparência e a pose de intelectual. Roteiros inacabados; cartas nunca enviadas; livros ainda virgens (que me perdoem os autores); jornais guardados sem motivo algum; contos abandonados; caixas de negativos fotográfico (saudades da época pré-digital); canetas de vários tipos; caixas de lápis; material de pintura; CDs; DVDs; fitas cassete; escritos desprezados; arquivos; caixas de arquivo-morto; embalagens de telefone celular; fios de instalação de equipamentos elétricos; carregadores de bateria; apontador de lápis; resmas de papel para impressora; caixas de bisnagas de tinta para pintura artística; catálogos; convites; impressos; contas já pagas; recibos; cartões de visita; dicionários; receitas médicas; revistas velhas e toda aquela tralha resultante da nossa hesitante decisão de “vou-jogar-isso-no-lixo”, sempre protelada pela atitude de “vá-lá-que-ainda-seja-útil”. E a montanha vai crescendo...
            Foi nesta salutar atividade de botar ordem na papelada que dei com uma velha caixa de papel negativo Kodak guardando minha faceta um tanto esquecida de versejador. É que poeta é um pouco demais para definir aqueles arroubos extemporâneos de minha veia poética. (Com o perdão das Musas).
            Corajosamente apresento, para a apreciação de meus incautos leitores, de minha lavra:

DIAGNÓSTICO
Se sentires
Vazio na boca do estomago
Secura na garganta
Disritmia motora
Sensação de inchaço no coração
Súbita elevação de temperatura
Ansiedade
Angústia
Palpitações
Zumbido nos ouvidos
Compulsão de saltar pela janela e sair voando
Crises de humor ambíguo
Vontade de abraçar desconhecidos
Aversão a pessoas sérias e responsáveis
Desejo de beliscar bebês bochechudos
Impulsos de dizer ao seu patrão tudo o que pensa dele
Simpatia por cachorros vadios
Fastio de suas velhas amizades
Alegria numa tarde cinzenta
Tristeza numa manhã de sol,
Cuidado!
Estes sintomas indicam que você está amando.

* * * * *

Por favor, leitores, não me poupem das críticas. Falem mal, mas falem de mim.

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