30 de abr de 2009

A BUSCA CONTINUA

Aproveitando estar sozinho em casa este escriba tenta, mais uma vez, adiantar a coluna desta semana, ainda mais que daqui a dois dias estarei viajando para João Pessoa, na Paraíba, convidado para o CINEPORT – Festival de Cinema dos Países de Língua Portuguesa – onde me juntarei à minha mulher, Denise, que hoje esta em Recife no Cinefest PE. A empresa dela, a delCast é a responsável pelos convidados desses dois festivais e de mais outros de norte a sul do Brasil e no exterior. A moça é danada! Bem, afinal alguém tem que trabalhar...

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A falta do costume em manter assiduidade na correspondência faz com nos tornemos extremamente mal-educados. Há mais de um mês recebi um email do Fernando Moura, lá de Santana, onde trabalha na editora da Platéia, comentando e elogiando minhas bobagens escritas nesta coluna e eu, grosseiramente, esqueci de agradecer.

Obrigado, Fernando. Sei que seu elogio deve mais ser creditado à sua gentileza do que aos meus poucos méritos literários (se é que os tenho).

E aqui já vou aproveitando a deixa para engajá-lo na campanha pela volta do Sá Viana aos gramados. Contamos contigo. Avante Tricolor dos Álamos!

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Algum dia se resolver escrever minhas memórias elas começarão assim:

MEMÓRIAS DESCOMPROMISSADAS

A noite havia sido longa e ansiosa como todas as noites que antecedem a uma viagem rumo ao desconhecido, e põe desconhecido nisso. O guri nunca havia ido mais longe do até Porto Alegre onde estudara nos últimos dois anos e mesmo ai já se sentia desenraizado da sua cidade natal lá fronteira oeste do seu estado onde moravam seus pais e ficaram todos seus amigos da infância, da adolescência e suas primeiras tentativas de namoro. Namoro? Não era bem isso. Às namoradinhas de sua idade preferia as mulheres do meretrício que freqüentava desde cedo numa rotina seguida por quase todos os amigos de sua turma: Aos sábados a noite era dia se mandar pro chinaredo, tomar um pilequinho com as percantas e, com sorte ganhar um amorzinho. Sempre de graça, que isso de pagar mulher é coisa pra velho, afinal, segundo seu avô, um ‘viejo’ espanhol: “Gigolô es la la única profesion digna de um honbre”. E desde os quinze anos ele tentava seguir à risca o ensinamento do velho de quem quase não lembrava, já que morrera quando nosso herói ainda usava calças curtas e cabelo cortado no estilo pajem. Isso mesmo, cabelo pajem era a suprema elegância que as mães do inicio dos anos trinta impunham aos seus rebentos. Assim esta é a mais longínqua lembrança que lhe vem quando escarafuncha os meandros mais profundos de sua memória: Um menino com o cabelo pajem, a camisa branca com jabô e as calças curtas de veludo azul-marinho correndo pela calçada da praça principal tendo debaixo do braço o jornal da capital, recém chegado pelo trem das vinte e quarenta e cinco (com um pequeno atraso de uma hora) que seu pai acabara de receber e ele fingia anunciar aos transeuntes. Os amigos do seu pai fingiam comprar e menino pegava o dinheiro mas não lhes entregava o jornal. Muito precoce...

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Atenção! Alguém já apurou alguma noticia, comentário, informe, fofoca ou qualquer outra pista que nos leve a desvendar esse mistério que acabrunha nossa sociedade?

Convoquem os sherloques locais (acho até que caberia uma intervenção do MP, agora tão em moda), as comadres dos chás-das-cinco, os charladores da rodas de mate, os calaveras do pif-paf, as “gurias” de terceira-idade, enfim todos aqueles abelhudos que por inclinação, ou por oficio, tem os meios de chegar a uma resposta para essa pergunta que não quer calar: “POR ONDE ANDA BILA ORTIZ?”

A busca continua!

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