6 de jun de 2011

RESCALDO


O carnaval passou as fantasias já sumiram no fundo dos armários; as máscaras da alegria, falsas ou verdadeiras, caíram das faces dos foliões; príncipes, piratas, reis, colombinas, pierrôs, passistas, destaques, a gente bonita e a gente feia voltaram à sua vidinha sem cor e sem brilho do dia a dia. Durante três dias chegaram a pensar que poderiam ser felizes durante o ano inteiro neste carnaval sem quarta feira de cinzas. Bem, é verdade que essa falsa ilusão só viveu nos sonhos de quem desfilou pela passarela do samba sua alegria programada para o tempo de exibição da sua escola. Para quem acompanhou tudo das arquibancadas, frisas, camarotes e aéreas reservadas restou aquilo que diz o ditado: Quem sabe faz, quem não sabe bate palmas.
            Agora, depois de anunciados os vencedores, ainda continuam as discussões a respeito da justiça, ou não, dos resultados com cada um apontando aquilo que viram como erros ou acertos da organização da festa. A grita maior esta sendo com a impontualidade, um sacrifício imposto ao espectador que teve de suportar em todos os dias mais de duas horas de espera pelo inicio dos desfiles que, para piorar, principiava com agremiações do grupo de acesso, francamente, com muito poucas condições de se pretenderem escolas de samba. Desponta, tema de grandes e justas reclamações, a instalação e precariedade no uso dos banheiros químicos que ao fim de poucas horas se tornavam impraticáveis pela sujeira e o mau cheiro. Todavia isso não parece ser tão somente culpa da organização do carnaval, mas, sobre tudo da falta de educação dos usuários que não se comportam da mesma maneira que, certamente, fariam em suas casas. De qualquer jeito isso não foi um assunto exclusivo daqui de Uruguaiana já que há muito tempo em outras cidades se trava essa inglória Guerra do Xixí.
            Para o colunista aqui, que há muito não assistia ao carnaval da nossa cidade, olhando de fora, por assim dizer, a festa me pareceu um tanto descaracterizada, não por falta de animação dos participantes e dos assistentes – estes sim responsáveis pelo grande brilho do espetáculo – mas pela insistência de querer equipara-la a outros
carnavais no país, especialmente o do Rio de Janeiro, importando elementos, matérias e, muito especialmente, pessoal, em abortando assim o surgimento de valores caracteristicamente locais. Esta insistência das agremiações em tentar “reforçar” suas apresentações com sambistas profissionais não me parece acrescentar nada de mais ao carnaval uruguaianense a não ser a falsa ilusão de estar tentado fazer o melhor dos carnavais.
            A continuar essa política de importação de sambistas, cantores, passistas, mestres sala e porta bandeira, compositores, cantores, diretores de carnaval e, acima de tudo a reciclagem de fantasias e alegorias, seria mais justo mudar o regulamento e os quesitos de julgamento do desfile.
            Para começar deveria se impor o cumprimento dos horários e prazos de desfile. Creio que isso se conseguiria com rigidez na imposição de punições principalmente financeiras. Já que quando dói no bolso...
            A continuar a idéia de trazer gente de fora para abrilhantar a festa seria cabível que se restringisse os itens de julgamento àqueles que dependessem da escola, sem individualismo. Ou seja: Enredo, samba enredo, harmonia, conjunto, comissão de frente e bateria. Os demais, aqueles que dependem de importação de valores e material seriam somente para o deleite do público, sem contar pontos para a classificação.
            Mesmo nesses não pontuáveis me parece que deveria haver uma reestruturação a começar por Alegorias e Adereços que teriam de limitar a altura dos seus carros alegóricos de maneira que pudessem ser apreciados também pelo publico ao rés do chão. A atual altura dos carros ditada pela altura do Sambódromo do Rio de Janeiro levou à criação também de fantasias para serem vistas do alto com suas ombreiras exageradas, seus resplendores e adereços de cabeça. Tudo fazendo com que os pés, que é de onde brota o movimento do samba, passassem a ser despercebidos.
            Espero que ninguém veja nessa critica, que quero construtiva, intenção de diminuir a importância do nosso desfile, mas, tão somente, o desejo de que se torne cada vez mais brilhante e representativo da cultura carnavalesca da cidade.

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